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  • Foto do escritorSilvâni Silva

Desafios e Conquistas: A Saga do Empreendedorismo Feminino Através dos Tempos




Introdução

O empreendedorismo feminino tem se destacado como um pilar fundamental para a inovação nos ambientes sociais e econômicos em todo o mundo. Impulsionadas por uma combinação única de talento, determinação e visão progressista, as mulheres conquistam cada vez mais espaço no mundo dos negócios, assumindo papéis de liderança e fundando empresas que prosperam economicamente.


Neste contexto, a celebração do Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino torna-se um marco relevante. É um momento para refletir sobre as conquistas, avaliar o progresso contínuo e enfrentar os desafios persistentes que ainda impedem a realização de um futuro verdadeiramente igualitário e inclusivo no mundo dos negócios.


Evolução do Empreendedorismo Feminino: Uma Jornada de Resiliência e Inovação

A jornada das mulheres no universo empresarial é um rico mosaico de resiliência, criatividade e inovação, estendendo-se desde os primórdios da história até a contemporaneidade. Essa trajetória destaca a capacidade feminina de superar obstáculos, liderar com sabedoria e impulsionar o crescimento econômico e social em diversas áreas. 


Personalidades históricas como Hatshepsut, primeira faraó egípcia (Reinado - 1479 a.C. a 1458 a.C.), e a rainha de Sabá (século X a.C.), exemplificam a liderança e a sagacidade administrativa femininas desde a antiguidade. Hatshepsut, destacada entre as figuras mais influentes do mundo antigo, impulsionou o comércio egípcio, enquanto a rainha de Sabá é celebrada por sua perspicácia e habilidade comercial.


Narrativas bíblicas ressaltam a participação feminina no empreendedorismo, como é o caso de Lídia, mencionada no Novo Testamento (Atos 16:14), que era uma comerciante de púrpura, um tecido precioso e muito valorizado na época. Raquel era pastora (Gênesis 29:9). Seerá, fundou vilarejos (1 Cron. 7:24). Tais escrituras evidenciam que a atividade econômica feminina era vista com respeito.


A despeito da dominância masculina na Idade Média, mulheres como Hildegarda de Bingen (1098-1179), e Christine de Pizan (1364-1430), romperam barreiras e se destacaram em áreas como medicina e literatura. Hildegarda era médica, escritora e compositora, enquanto Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional da França.


No século XVIII, durante a Revolução Industrial e o Iluminismo, o papel  feminino na sociedade começou a evoluir significativamente. A industrialização criou novas vagas de emprego nas fábricas, apesar das duras condições de trabalho e salários inferiores aos dos homens. Enfrentando longas jornadas, ambientes prejudiciais à saúde e discriminação, elas ainda assim se destacaram, como Hannah More (1745-1833), por exemplo, utilizou sua posição enquanto educadora e escritora para fundar escolas para meninas de baixa renda, demonstrando um compromisso com a educação feminina.


Coco Chanel (1883-1971): Gabrielle Bonheur "Coco" Chanel é um ícone global, cuja influência na moda e no empreendedorismo transcendeu fronteiras. Ela desafiou os papéis tradicionais de gênero e estabeleceu um império no mundo da alta costura. 


Cora Coralina (1889-1985), Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas foi uma renomada poetisa que retratou a simplicidade da vida interiorana brasileira. Ela também se destaca como um ícone do empreendedorismo feminino, ao iniciar um negócio de doces caseiros, empregando sua habilidade culinária e a criatividade poética como estratégia de marketing. 


O empreendedorismo feminino ganhou ímpeto no século XX, fomentado por grandes forças: o movimento feminista; a luta por direitos iguais, assegurando às mulheres maior acesso à educação, ao mercado de trabalho e ao crédito; a era digital; e a intensificação do comércio internacional. Esses fatores criaram novas oportunidades de negócios, permitindo que elas liderassem empresas inovadoras e ocupassem espaços antes inacessíveis.


No século XXI, observa-se uma expansão acelerada do empreendedorismo feminino, impulsionada pela eclosão tecnológica, pela globalização, pela crescente conscientização acerca da igualdade de gênero e pelo suporte de políticas públicas, incluindo programas de mentoria, incubadoras e financiamento para empreendedoras.


Luiza Helena Trajano, uma líder empresarial visionária, transformou o Magazine Luiza em um colosso do varejo brasileiro. Seu trabalho em prol da inclusão social e da igualdade de gênero no ambiente corporativo, serve como um modelo para o empreendedorismo feminino. 


Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, uma das fintechs mais inovadoras e de maior sucesso da América Latina, quebrou barreiras no setor bancário, tradicionalmente dominado por homens. Com a criação do Nubank, ela não apenas ofereceu uma alternativa inovadora aos bancos convencionais, mas também liderou o caminho para mais inclusão e diversidade na tecnologia financeira. 


Mulheres empreendedoras, desde líderes do passado até visionárias do presente, constituem uma força global que exemplifica a riqueza e o alcance do empreendedorismo feminino. As narrativas dessas pioneiras, abrangendo diferentes épocas e setores, ressaltam como as sociedades têm evoluído para reconhecer e valorizar o impacto feminino em diversas áreas de atuação. Elas não apenas criam milhões de empregos e estimulam o crescimento econômico, mas também fomentam a inovação e servem de inspiração para outras, ao redor do mundo, seguirem seus sonhos e aspirações.


A Relevância do Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino

Em 19 de novembro, celebra-se o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, uma efeméride estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2014. Essa data é dedicada a homenagear e incentivar a força feminina no universo empresarial, promovendo, simultaneamente, a luta pela equidade de gênero e o empoderamento feminino em todo o mundo.


A comemoração do Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino constitui uma valiosa oportunidade para refletir sobre os avanços já realizados, e sobre as ações ainda necessárias para fomentar um ambiente de negócios genuinamente equitativo e inclusivo. Mais do que uma simples celebração, este dia representa um apelo vigoroso para a eliminação das barreiras que ainda impedem o pleno reconhecimento e suporte às mulheres empreendedoras.


Desafios Persistentes na Busca por um Futuro Igualitário no Empreendedorismo Feminino

Não obstante dos avanços significativos em políticas públicas e programas de apoio destinados a fomentar a inclusão do universo feminino no empreendedorismo, a caminhada rumo à igualdade de oportunidades nesse domínio ainda encontra obstáculos substanciais. Essas barreiras não apenas restringem o acesso a posições de liderança e a oportunidades de serem agentes de transformação, mas também perpetuam desigualdades históricas em diversos setores da economia.


O acesso limitado ao financiamento é um dos maiores desafios. Estudos comprovam que projetos liderados por mulheres recebem menos investimentos, com condições menos favoráveis.


Além disso, as barreiras ao acesso a redes de contatos representam um desafio considerável. Tais redes, que transcendem a simples conexão virtual e se baseiam em laços de confiança e reciprocidade, muitas vezes são construídas e reforçadas em interações presenciais. As empreendedoras podem ser marginalizadas dessas oportunidades vitais devido a barreiras culturais, sociais e de gênero que limitam sua participação em ambientes predominantemente masculinos.


Os desafios culturais e sociais persistem, impondo obstáculos à participação feminina no empreendedorismo. Mesmo ostentando qualificações comparáveis aos seus pares masculinos, as mulheres empreendedoras frequentemente se deparam com disparidades salariais, discriminação e até violência baseada em gênero. Tais obstáculos não apenas limitam o potencial de crescimento delas nesse campo, mas também configuram um entrave ao desenvolvimento socioeconômico como um todo.


A dupla jornada de trabalho, combinando responsabilidades profissionais e familiares, é outro desafio significativo. A sobrecarga de responsabilidades pode dificultar o desenvolvimento dos negócios e afetar negativamente o bem-estar e saúde mental das mulheres.


As barreiras que impedem a expansão do empreendedorismo feminino exigem uma resposta abrangente e multifacetada. Políticas públicas com foco em equidade de gênero, programas de mentoria e capacitação específicos, acesso a financiamento adequado e a construção de redes de contatos sustentáveis são elementos essenciais para construir um ambiente de negócios verdadeiramente inclusivo e equitativo. Ao investir na superação dos desafios que as empreendedoras enfrentam, investimos em um futuro mais próspero e justo para todos. 


Conclusão

A jornada do empreendedorismo feminino, embora enriquecida por progressos notáveis, ainda enfrenta desafios que demandam ações conjuntas entre a sociedade, o setor público e o privado.  É crucial a promoção de um ambiente empresarial sensível às demandas específicas das mulheres empreendedoras, através da implementação de políticas públicas estratégicas, programas de mentoria e incentivos financeiros específicos. A superação desses desafios não somente promove a igualdade de gênero, mas também potencializa o crescimento econômico, sublinhando o empreendedorismo feminino como um vetor essencial para a construção de uma sociedade mais justa e economicamente dinâmica.





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